22/07/16

Estreia de Ainda o Último Judeu e os Outros

A Companhia de Teatro de Braga estreou, ontem, a sua 129ª produção. Ainda o Último Judeu e os Outros, de Abel Neves.

O Pequeno Auditório do Theatro Circo esteve cheio para assistir à interpretação do texto que o próprio autor dirigiu com o elenco da CTB.
Os momentos de humor, quase todos protagonizados pelo casal de caçadores, Arlete (Solange Sá) e Nelse (Rogério Boane), são muitos e ajudam à descompressão de um tema - o genocídio dos judeus na II grande Guerra - que tem, obviamente, uma carga dramática intensa.
Durante todo o espetáculo, o público reagiu positivamente terminando com uma ovação aos artistas, de pé e durante vários minutos.
Não percam a possibilidade de assistir a este excelente espetáculo da CTB. Ainda o Último Judeu e os Outros continua, hoje e amanhã, às 21h30 e no domingo, às 16h. Na próxima semana, estará em cena de terça a quinta (26 a 28), também às 21h30.
Obrigado a todos por terem estado connosco. Sem vocês isto não faria sentido!


05/07/16

Companhia de Teatro de Braga começa já a preparar os próximos 35 anos


Terminadas as comemorações do 35ª aniversário, a Companhia de Teatro de Braga começa já a preparar os próximos 35 anos. Ainda o Último Judeu E Os Outros, de Abel Neves, é já a 129ª produção da CTB.

O espetáculo escrito e dirigido por Abel Neves, estreia no dia 21 de julho, às 21h30, no Pequeno Auditório do Theatro Circo, em Braga.

Ainda o Último Judeu E Os Outros fala de Daniel, um jovem que “vive obcecado com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite, sofreu, em criança, com o assassinato dos pais, ambos judeus, no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau – Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno.” a história passa-se num 

Este é o segundo texto de Abel Neves para a Companhia de Teatro de Braga. O primeiro, Sabe Deus Pintar o Diabo teve a encenação a cargo de Rui Madeira e foi distinguido, em 2014, com o Prémio Melhor Texto Português Representado em 2013, da Sociedade Portuguesa de Autores.

Ainda o último Judeu E Os Outros estará em cena no pequeno auditório da sala bracarense, de 21 a 28 deste mês, e terá as seguintes sessões: 21 a 23, às 21h30; 24, às 16h00; de dia 26 a 28; às 21h30. O espetáculo tem a duração aproximada de 90 minutos e destina-se a um público maior de 12 anos. Os bilhetes custam 10€ (geral), 5€ (cartão quadrilátero ou para grupos de 10 pessoas)

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Ontem, no Espaço DST da 25ª Feira Do Livro de Braga, houve uma Conversa com Abel Neves e Rui Magalhães (Editora Húmus), e que contou com a moderação de Rui Madeira (diretor da CTB), sobre as recentes obras teatrais do dramaturgo montalegrense, Ainda o Último Judeu E Os Outros e Ossman (Húmus, 2016).


Ficha artística
autor Abel Neves | direção Abel Neves | assistência de direção António Jorge | cenografia Acácio Carvalho | adereços António Jorge, Manuela Bronze | figurinos Manuela Bronze | criação vídeo Frederico Bustorff | criação sonora Pedro Pinto | design gráfico e fotografia Paulo Nogueira | desenho de luz Nilton Teixeira | elenco Alexandre Sá, Carlos Feio, Eduarda Pinto, Rogério Boane, Sílvia Brito e Solange Sá.



28/06/16

O sentido das coisas

A decisão de trabalhar um texto e criar um espectáculo não é, em mim, coisa rápida. Sendo um processo de criação, integra obviamente um discurso artístico mas é, sempre, resultado de uma escolha. Uma opção, que deriva do meu olhar sobre o mundo e as pessoas. Sobre o Tempo. E claro sobre os actores. São eles os artífices do milagre da representação. Eles são Palavra e Corpo. E a verbalização dessas escritas fundam a Imagética do espectáculo. A decisão sobre esta escolha foi rápida, em razão do convite e dos prazos.

© Njord Photography
Nos últimos anos, o meu trabalho enquanto encenador tem-se focado em três conceitos estruturantes: Liberdade. Solidão. Cidadania. Na Europa e na qualidade da nossa democracia. Em NÓS! Nesta nossa - por herança de bastardos – Europa. Essa mítica e bela Europa que se banhava no Peleponeso amamentada no berço pela Hélade, para não deixarmos que a Memória nos atraiçoe. A velha vontade, há tanto tempo acalentada, de destruição da nossa querida Europa recrudesce e os novos turcos, são afinal os nossos irmãos de ontem. Eles estão no meio de nós e esperam o momento…

Aceitado o convite, algumas interrogações se me depararam: que texto escolher? Como compaginar uma escolha que possa responder e sustentar o trabalho artístico de um grupo de jovens alunos candidatos às profissões desta artesania? Com preocupações de equidade na distribuição, valorizando e, quiçá, potenciando a qualidade intrínseca a cada um e uma. Na convicção que teatro já não faz revoluções mas pode tornar melhores os que o praticam. Conhecer a matéria prima: os artífices. Saber um pouco (ou muito) deles. Das suas vontades e Memórias, do seu estado! Foi um primeiro passo. O que pensam da guerra? Que memórias transportam? A guerra está longe ou perto? Foi um segundo. Olhá-los. Vê-los. Ouvi-los. Mais um. Afinal, são apenas três rapazes e um número infindável de raparigas. E feita a pergunta “se queriam ser mesmo actores e actrizes”. Ninguém disse que Não! O que não é o mesmo de todos dizerem, SIM!

© Njord Photography
Nestas circunstâncias a escolha teria de passar por um texto que permitisse uma distribuição atenta a cada um/a, equilibrada nos trabalhos e diversa na natureza e sentido de cada cena, rica nos ritmos e na música que as Palavras possam proporcionar. 

E assim caímos em Horváth (Ödön von Horváth Edmund Josef) esse mesmo escritor, filho do Império Austro-Húngaro, nascido numa cidade da antiga Hungria e hoje da Croácia. Lá, berço da 1ª Guerra e de muitas outras. Horváth, filho de diplomata húngaro, adopta a Alemanha, tornando-se um dos escritores mais promissores naquela língua e um dos primeiros escritores antifascistas daquele país. Sendo obrigado a fugir para a Áustria e depois para Paris, em 1938, onde viria a morrer atingido por uma árvore durante uma tempestade. Dias antes teria dito a um amigo: “não tenho assim tanto medo dos nazis… existem coisas piores de que podemos ter medo, coisas de que temos medo sem sabermos bem porquê. Por exemplo tenho medo de ruas. As ruas podem ser hostis para uma pessoa, pode-nos destruir. As ruas assustam-me”.

E, de repente, tudo faz sentido. Com DON JUAN VOLTA DA GUERRA de Horváth, - depois de Kroetz (Concerto À La Carte); Ésquilo (Oresteia, a trilogia); Jeffrey Hatcher (Um Picasso); Thomas Bernhard (No Alvo) e Vergílio Alberto Vieira (Oratória do Vento) – posso continuar o meu caminho na Europa. Nesta Europa que perdeu o rumo na volta das guerras. Os comandantes tresmalharam-se, embebedaram-se e ufanos de poder, declararam guerra aos povos. A nossa Europa é hoje uma massa informe, gelatinosa, que se apega ao que passa. Este espectáculo será um exercício final de um grupo de jovens estudantes de teatro. Mas terá de ser muito mais do que isso, para ser a sério. Será o testemunho de um grupo de jovens artistas sobre o seu Tempo. Um exercício de Memória. Um exercício de Prazer.
Rui Madeira


CTB leva Leituras Dramáticas à 25ª Feira do Livro de Braga

A Oficina de Leituras Dramáticas do projeto BragaCult, conduzida pelo Diretor da CTB, Rui Madeira, que começou em 8 de junho, contou com a participação de cerca de duas dezenas de pessoas que se reuniram todas as quartas-feiras, das 19h00 às 21h00, no Theatro Circo.

Fotografia: Pedro Alpoim
Nos dias 3 e 4 de julho, às 21h00, serão feitas leituras públicas no Espaço dst da 25ª Feira do Livro de Braga que, tal como aconteceu em anos anteriores, estarão ligadas ao vencedor do Grande Prémio de Literatura dst que, nesta 21ª edição, foi o poeta Manuel Alegre pela obra “Bairro Ocidental”.


Também nesta Feira do Livro (FLB) estaremos, ainda, à conversa com o escritor, dramaturgo e encenador Abel Neves a propósito do seu do seu último livro, que inclui os contos: “Ainda O Último Dos Judeus E Os Outros” e “Ossman”.

Esta conversa entre Abel Neves, Rui Magalhães (Editora Humus) e Rui Madeira (CTB) decorrerá no Espaço dst da FLB, no dia 3, às 19h00.

Este evento tem o interesse adicional de anteceder a estreia da 129ª produção da CTB, “Ainda O Último dos Judeus E Os Outros”, que será dirigido pelo próprio Abel Neves. O espetáculo estreia no dia 21, às 21h30, no Pequeno Auditório do Theatro Circo e estará em cena até dia 28.



Sinopse

Daniel decide convocar a sua mãe, Judite, e o seu pai, João Victor, para um encontro num lugar nos arrabaldes da cidade, fora do conforto da casa. Núria, a sua namorada, segue-o. Obcecado desde sempre com a história trágica dos judeus – a sua avó, mãe de Judite e a viver na Holanda, sofreu, em criança, a perda dos pais, ambos judeus, numa situação que a marcou definitivamente, tendo eles sido depois assassinados no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau – Daniel não descansa enquanto não confronta Judite com uma época que ela não aceita lembrar e, sobretudo, não quer assumir por via do sangue materno. João Victor tenta amenizar a disputa sem, no entanto, o conseguir. O lugar do encontro – um armazém sujo e abandonado por onde passam caçadores e ao qual chamam “Bosque Motel” – é visitado de passagem por Nelse e Arlete, um bem humorado casal, precisamente, de caçadores, que serão testemunhas da intensa e brutal situação, acabando involuntariamente por contribuir para um desfecho inesperado.
Abel Neves

Ficha Técnica

Autor Abel Neves | Direção Abel Neves | Cenografia Acácio Carvalho | Figurinos Manuela Bronze | Criação vídeo Frederico Bustorff | Criação sonora Pedro Pinto | Design gráfico e fotografia Paulo Nogueira | Desenho de luz Nilton Teixeira | Elenco Alexandre Sá, Carlos Feio, Eduarda Pinto, Rogério Boane, Sílvia Brito, Solange Sá.

21/06/16

Rui Madeira dirige o espectáculo "Don Juan Volta da Guerra" de von Horváth, pelos finalistas do Curso de Teatro da ESMAE



Estreia no final de Junho, dia 29, no Teatro Helena Sá eCosta, no Porto, o espetáculo Don Juan Volta da Guerra de Ödön von Horváth.

Rui Madeira, encenador e diretor da Companhia de Teatro deBraga (CTB) escolheu o texto do escritor húngaro e o trabalhou, desde 15 de Maio, com a turma de finalistas (2015/2016) do Curso de Teatro da Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo (ESMAE) do Instituto Politécnico do Porto.

Don Juan Volta da Guerra é o exercício final deste grupo de alunos da ESMAE, maioritariamente composto por mulheres, que estabelecem uma analogia entre este Don Juan e o seu próprio percurso “de três anos de exploração do espaço cénico” na tentativa de se encontrarem enquanto profissionais desta arte.

Para Rui Madeira, a escolha do texto teria de “responder e sustentar o trabalho artístico de um grupo de jovens alunos candidatos às profissões desta artesania” seguindo os três conceitos estruturantes em que, nos últimos anos, se tem focado o seu trabalho enquanto encenador: “Liberdade, Solidão e Cidadania. Na Europa e na qualidade da nossa democracia”.

O Diretor da CTB diz que “para ser a sério” terá de ser muito mais que um exercício final de um grupo de estudantes de teatro: “Será o testemunho de um grupo de jovens artistas sobre o seu Tempo. Um exercício de Memória. Um exercício de Prazer”, reiterou.

O espectáculo estreia no dia 29, às 21h30, e manter-se-á em cena até ao dia 3 de Julho (quarta a sábado às 21h30 e domingo às 18h00), no Teatro Helena Sá e Costa.


design: Paulo Nogueira


FICHA TÉCNICA
Título Don Juan Volta da Guerra
Autor Ödön von Horváth (Edmund Josef)
Tradução José Valentim Lemos
Encenação Rui Madeira
Assistente de Encenação Rita Reis
Interpretação Cláudia Gomes, Cristina Iglésias, Diogo Martins, Dóris Marcos, Gabriela Brás, Gabriela Costa, Guilherme de Sousa, João Lourenço, Mafalda Canhola, Maria Inês Peixoto, Mariana Graça, Mariana Santos Silva, Raquel Cunha, Rita Grangeia, Ruth Boente
Direção de Cena e Produção Gonçalo Gregório
Cenografia Luís Mesquita, Vera Matias
Figurinos Manuel Faria, Mónica Melo, Samanta Duarte
Luz Alexandre Candeias
Som Sérgio Vilela